quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lembro-me de como era vê-lo antes de trocarmos palavras. Todas as noites subia na linha 02, uma parada depois. Adentrava com aquela mochila preta, os cabelos finos, e o par de olhos castanhos detrás das lentes retangulares. Um dia cruzamos dentro da faculdade. Gosto da companhia e das coisas que conversamos. Ele me faz sorrir. Ele é importante. E se isso servir, sempre que nos despedimos, eu conto os duzentos e dezessete passos que faço até a casa, um tanto feliz, só por tê-lo visto um pouco mais.

Amor Próprio.

É tão estranho ver todo mundo com alguém sendo amado por outra pessoa e você lá, sozinho em qualquer canto, esquecido. Apesar disso, estou só pois eu quero. Sem lágrimas, sem nada. Não existe nenhum "você" para quem dedico frases de amor, ou sempre que vou me deitar penso em alguém. Isso não existe mais.

Aprendi com a vida: se não tem quem te ame, e se você não ama ninguém, ame a si mesma. Lhe garanto, não há coisa melhor. Me sentir bem comigo mesma é estar completa, e não há outra pessoa que possa me completar desse jeito. Se o amor por outra pessoa acabou, retire todos os rastros que ela deixou. Tenha tempo para cuidar de si mesma, e saber como é sentir essa sensação maravilhosa chamada de amor próprio.

Já vivi muitas situações em que alguns meninos (idiotas, por sinal) riam pelo fato de eu estar sozinha. A melhor forma que encontrei para sair dessa situação: rir junto. Não ria pelo fato de estar sozinha e achar engraçado, mas sim, pelo fato de descobrir o quão estúpidos eles eram. Ridículos.

Acho que agora começa uma nova era, aquela em que não sinto falta de ninguém para estar comigo novamente, quero aproveitar sozinha. Viver algumas experiências, curtir mais a vida, me arriscar mais. Podem me chamar de egocêntrica, sim, eu sou. Mas, sei dos meus limites e até onde posso chegar com isso.

Auto-destruição.



Sempre fui imprevisível, mas nunca cheguei a esse estado. Se fizesse uma sondagem, essa vez seria o ápice das imprevisões. Não me pergunte o que houve, porque eu também não sei. Vou levando e tentando descobrir na medida do possível.

Não estou triste, mas também não estou feliz. Digamos que eu esteja indiferente e com uma pequena pitada de mágoa. Mágoa por não conseguir entender algo, e até mesmo por desejar algo que eu não posso ter. Eu poderia, mas a oportunidade já se foi. Não sei se quero isso ou aquilo, frio ou calor, sim ou não.

Nada explica o motivo disso tudo. Bom, acho que o problema é comigo, sempre foi. Esse alguém não existe, esse alguém sou eu. Não quero sentir isso, mas me parece ser inevitável.

Me perco ao pensar a que ponto isso pode chegar. Quero sorrir, quero ser feliz, quero ao menos parecer feliz. Mas há um bloqueio, uma parede que precisa ser quebrada, e a força necessária para isso, infelizmente, só pode ser encontrada em mim.

Devaneio de inverno.

Tudo estava planejado para ser mais um feriado bobo e inútil, até que o inesperado aconteceu. Eu perdi você, sem saber ao certo o motivo. Você, que era quase sempre tão bom pra mim, me fazia sorrir, e também me fazia chorar, mas eu achava que por você, tudo valia a pena. Tudo bem, sofri. Isso já era previsível, você parecia tudo o que eu tinha até ali, já havia desistido de coisas tão boas por você, e o que ganho em troca? Ingratidão.

Eu que tinha a plena certeza que você não sairia da minha cabeça facilmente, mas fiz um bom trabalho até agora. Com a ajuda de alguns (poucos. Você só vê quem está do seu lado a partir do momento que você precisa de ajuda), consegui esquecê-lo por alguns instantes, e, inesperadamente, eu pude sorrir. Sim, agora é ele, e não mais você. Estou trabalhando aos poucos nessa fase do esquecimento, e essa foi uma etapa que consegui superar. Agora, você que era você, é ele. É ele, pois não é meu mais.

Então, na esperança de esquecê-lo, apareceu alguém, e eu resolvi dar uma chance para algum sentimento futuro. Esse alguém era lindo, tudo de bom. Não sei ao certo como descrever, mas era tudo o que eu precisava naquele momento. Só faltava coragem. Não só de minha parte, como da parte dele também, já que ele não havia dado nenhum sinal.

Depois de um tempo, você apenas chegou e me beijou. Sem explicações, sem nada. Eu também não precisava de palavras, afinal, eu também estava morta de vontade de poder fazer o mesmo. Demorou um pouco, mas me entreguei. Tínhamos tudo para dar certo, formávamos um belo par, possuíamos várias coisas em comum.

Eu realmente não queria que tudo acabasse. Uma pena, você tinha que partir. Foi como aqueles amores de verão, como nos filmes. Quem sabe, nos veremos mais algumas vezes. Ou não. Só resta esperar para ver o que o destino preparou para nós.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Subentendido.

Uma das coisas que mais gosto no inverno é calcanhar só. Sentir o vento, imaginar a cor dos teus olhos. Me preenche, mesmo quando sinto os pés frios, quando sinto a solidão roçando entre o pescoço e o cachecol. Ainda assim, a cor dos teus olhos me faz ficar com o coração quente. Apesar de ter uma tristeza presa ao pé da garganta, nos teus olhos eu ainda encontro um porto.

Congelar o tempo. Apenas congelá-lo.

Me gustaria congelar o tempo, neste segundo mesmo. Deixar as coisas assim do jeito delas. Não mudar de casa, de roupa, de calendário. Parar. Seria preferivelmente um tanto melhor. Amanhã eu sinto que não verei os meus por perto, e isso deixa o meu coração sem lume. Sinto-me desabar por detrás das horas. Em seis meses, penso, estarei um tanto melhor. Penso.
Tenho os olhos pesados, uma dor de cabeça horrível, e uma vontade imensa à ir tentar dormir. Ver se ei de sonhar com o teu corpo, outra vez. E mais outra. Até acordar cansada.