Tento fazer o que posso para mudar coisas que não acho certas, mas quando existem intervalos, escrevo.
sábado, 2 de abril de 2011
Ocasional Obsessão
Entrei, sentei-me, tamborilei os dedos na mesa com impaciência algumas vezes. Acendi seu rosto e encarei, enquanto pensava em falar.Me decidi pelo silêncio que, aliás, tenho aprendido a usar bem. (Ainda desando a dizer o que não devo, mas paciência, essas coisas levam tempo…).Olhei-te nos olhos, pela metade, e te li completamente – com a interpretação distorcida pelo ego.A inquietação me dominava — aliás, nunca me deixa, essa importuna companhia —, e foi com muito custo que não cuspi tudo o que estava entalado há tempos em minha garganta. Queria mesmo ter dito, questionado seu silêncio, seu sumiço, seu eterno riso vazio. Te culpar pelo atual descontrole em minha cabeça, e dizer que tenho te visto em esquinas, ônibus e, principalmente, em suéteres de lã. Premeditei cada palavra não dita, cada feição não expressa e cada resposta que não me darias. Lembrei até daquele abraço; o primeiro, o último; uma fagulha, uma fogueira. Mas era tudo sonho longínquo ou pesadelo e, vencida, me decidi, mais uma vez, pelo silêncio. Desliguei seu rosto, apaguei a luz e saí, levando comigo minha ocasional obsessão.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário