sábado, 10 de dezembro de 2011

Ei.

Ô menina, a vida não é só sorrir. Vai ter lágrima virando a segunda rua, trocando o pé de calçada. Vai ter saudade antes de pegar na mão do sono. Vai ter rancor quando o presente não virar futuro. Vai ter tanta coisa nessa vida menina, tanta coisa, que não vale desistir não. Minha bonita, a vida não é só sorrir, mas a gente sempre tenta, seguir sorrindo, pra qualquer coisa que nos tente fazer mal.
 A gente vive tentando, e quando vê, viveu sorrindo, a vida que não é só sorrir.

Esses dias.

São dias em que as palavras já se fizeram gastas demais. A boca parece feita pra dizer o que não consegue.
Sinto um silêncio demasiado grande no peito, mas já o senti antes. É aquela parte de mim que não merecia ter lugar.
Dessa vez tenho pensando em deixá-lo crescer, só pra ver no que vai dar. Existem espaços dentro de nós que são feitos para mudar. Só fica proibido olhar pra dentro,
e fingir que vai tudo bem.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Há dias,

Há dias em que preciso mesmo chorar. Soluçar muito. Sentir a dor caindo dos olhos. O aperto do peito saindo pela boca. Há dias que parecem noites sem fim. Uma escuridão penosa. São aqueles dias em que tiro de dentro tudo o que me faz mal, na esperança de que me vais ouvir e dizer que sim, que é verdade, que vais mudar e voltar a ser tudo como era antes. Há dias que ficam guardados só em nós, bem dentro, aqueles dias que nunca virão a existir.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Hoje me gustaria ter acordado ao teu lado. Ouvir tua voz dizer-me que nada no mundo te serve, senão eu. Precisava de coisas muídas contigo. Tuas mãos no meu quadril, e tua vontade de não ir embora. Não é de facto um pedido, só estou a dizer daquilo que realmente me cairia tão bem, hoje. - é só que, não tenho experimentado bons dias.

O tempo, talvez.

Já era tempo de essas coisas todas terem passado. E não é culpa do tempo, esse sempre passa. É só que ainda me sinto murcha. Não me apetece mais sorrir para o moçoilo que devolve os trocados no café, nem mesmo dar bom dia para o porteiro que sempre me prega algum riso. Meus dias são desses em que só resta esconder o choro por detrás de um sorriso bem seco.

domingo, 7 de agosto de 2011

A noite passada foi como ter acordado precisando de muito do teu corpo. Muito mais da mesmice de sempre. Foi preciso ligar-te e dizer-te que a cama fica imensa só com o meu desenho. Foi como abanar para aviões lá no alto, e sentir a pequena que sou. Foi aceitar que depois de muito tempo voltei às saudades do que já passou.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A cada tempo, mais um tempo.

Sinto que as horas estão à ser mais curtas. Tudo tem sido mais pequenito. Os beijos não se demoram tanto, os olhares viram piscos entre um cílio e outro. Andanças viram voltas. Eu viro cada vez mais só. Procuro alguém que responda: o que está a acontecer com o tempo?

Possibilidade.

Há uma chuva fina detrás das cortinas. Oiço a voz do passado sussurrando cançonetas em meus ouvidos. Sinto vontade de ligar, de ter uma conversa comprida, e dormir depois de chorar todas as horas. Apetece-me até mesmo esquecer o nome que tenho. Não ter a certeza de onde dormir, e muito menos acordar pela manhã. Sinto tristeza por que julho se foi, e ei de ter dias crus. E as noites, as noites ão de ser ainda mais incolores. Ão de ter gosto daquela água morna, sem sal nem açúcar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lembro-me de como era vê-lo antes de trocarmos palavras. Todas as noites subia na linha 02, uma parada depois. Adentrava com aquela mochila preta, os cabelos finos, e o par de olhos castanhos detrás das lentes retangulares. Um dia cruzamos dentro da faculdade. Gosto da companhia e das coisas que conversamos. Ele me faz sorrir. Ele é importante. E se isso servir, sempre que nos despedimos, eu conto os duzentos e dezessete passos que faço até a casa, um tanto feliz, só por tê-lo visto um pouco mais.

Amor Próprio.

É tão estranho ver todo mundo com alguém sendo amado por outra pessoa e você lá, sozinho em qualquer canto, esquecido. Apesar disso, estou só pois eu quero. Sem lágrimas, sem nada. Não existe nenhum "você" para quem dedico frases de amor, ou sempre que vou me deitar penso em alguém. Isso não existe mais.

Aprendi com a vida: se não tem quem te ame, e se você não ama ninguém, ame a si mesma. Lhe garanto, não há coisa melhor. Me sentir bem comigo mesma é estar completa, e não há outra pessoa que possa me completar desse jeito. Se o amor por outra pessoa acabou, retire todos os rastros que ela deixou. Tenha tempo para cuidar de si mesma, e saber como é sentir essa sensação maravilhosa chamada de amor próprio.

Já vivi muitas situações em que alguns meninos (idiotas, por sinal) riam pelo fato de eu estar sozinha. A melhor forma que encontrei para sair dessa situação: rir junto. Não ria pelo fato de estar sozinha e achar engraçado, mas sim, pelo fato de descobrir o quão estúpidos eles eram. Ridículos.

Acho que agora começa uma nova era, aquela em que não sinto falta de ninguém para estar comigo novamente, quero aproveitar sozinha. Viver algumas experiências, curtir mais a vida, me arriscar mais. Podem me chamar de egocêntrica, sim, eu sou. Mas, sei dos meus limites e até onde posso chegar com isso.

Auto-destruição.



Sempre fui imprevisível, mas nunca cheguei a esse estado. Se fizesse uma sondagem, essa vez seria o ápice das imprevisões. Não me pergunte o que houve, porque eu também não sei. Vou levando e tentando descobrir na medida do possível.

Não estou triste, mas também não estou feliz. Digamos que eu esteja indiferente e com uma pequena pitada de mágoa. Mágoa por não conseguir entender algo, e até mesmo por desejar algo que eu não posso ter. Eu poderia, mas a oportunidade já se foi. Não sei se quero isso ou aquilo, frio ou calor, sim ou não.

Nada explica o motivo disso tudo. Bom, acho que o problema é comigo, sempre foi. Esse alguém não existe, esse alguém sou eu. Não quero sentir isso, mas me parece ser inevitável.

Me perco ao pensar a que ponto isso pode chegar. Quero sorrir, quero ser feliz, quero ao menos parecer feliz. Mas há um bloqueio, uma parede que precisa ser quebrada, e a força necessária para isso, infelizmente, só pode ser encontrada em mim.

Devaneio de inverno.

Tudo estava planejado para ser mais um feriado bobo e inútil, até que o inesperado aconteceu. Eu perdi você, sem saber ao certo o motivo. Você, que era quase sempre tão bom pra mim, me fazia sorrir, e também me fazia chorar, mas eu achava que por você, tudo valia a pena. Tudo bem, sofri. Isso já era previsível, você parecia tudo o que eu tinha até ali, já havia desistido de coisas tão boas por você, e o que ganho em troca? Ingratidão.

Eu que tinha a plena certeza que você não sairia da minha cabeça facilmente, mas fiz um bom trabalho até agora. Com a ajuda de alguns (poucos. Você só vê quem está do seu lado a partir do momento que você precisa de ajuda), consegui esquecê-lo por alguns instantes, e, inesperadamente, eu pude sorrir. Sim, agora é ele, e não mais você. Estou trabalhando aos poucos nessa fase do esquecimento, e essa foi uma etapa que consegui superar. Agora, você que era você, é ele. É ele, pois não é meu mais.

Então, na esperança de esquecê-lo, apareceu alguém, e eu resolvi dar uma chance para algum sentimento futuro. Esse alguém era lindo, tudo de bom. Não sei ao certo como descrever, mas era tudo o que eu precisava naquele momento. Só faltava coragem. Não só de minha parte, como da parte dele também, já que ele não havia dado nenhum sinal.

Depois de um tempo, você apenas chegou e me beijou. Sem explicações, sem nada. Eu também não precisava de palavras, afinal, eu também estava morta de vontade de poder fazer o mesmo. Demorou um pouco, mas me entreguei. Tínhamos tudo para dar certo, formávamos um belo par, possuíamos várias coisas em comum.

Eu realmente não queria que tudo acabasse. Uma pena, você tinha que partir. Foi como aqueles amores de verão, como nos filmes. Quem sabe, nos veremos mais algumas vezes. Ou não. Só resta esperar para ver o que o destino preparou para nós.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Subentendido.

Uma das coisas que mais gosto no inverno é calcanhar só. Sentir o vento, imaginar a cor dos teus olhos. Me preenche, mesmo quando sinto os pés frios, quando sinto a solidão roçando entre o pescoço e o cachecol. Ainda assim, a cor dos teus olhos me faz ficar com o coração quente. Apesar de ter uma tristeza presa ao pé da garganta, nos teus olhos eu ainda encontro um porto.

Congelar o tempo. Apenas congelá-lo.

Me gustaria congelar o tempo, neste segundo mesmo. Deixar as coisas assim do jeito delas. Não mudar de casa, de roupa, de calendário. Parar. Seria preferivelmente um tanto melhor. Amanhã eu sinto que não verei os meus por perto, e isso deixa o meu coração sem lume. Sinto-me desabar por detrás das horas. Em seis meses, penso, estarei um tanto melhor. Penso.
Tenho os olhos pesados, uma dor de cabeça horrível, e uma vontade imensa à ir tentar dormir. Ver se ei de sonhar com o teu corpo, outra vez. E mais outra. Até acordar cansada.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Coragem.

Quando estes dias corridos findarem, já sei de todos os atos que quero cometer. O sofá será cheio de cobertas quentes, e no corpo vou deixar um pijama vinte e quatro horas. Ao sair, preciso comprar mais meias de lã. As que tenho já não dão conta de voltar à gaveta entre o período do lavar e secar. Talvez, compre uma garrafa de gin, e um bloco em branco para rabiscar enquanto ouço aquele jazz surrado. Estou ansiosamente esperando o chegar das noites, e que junto venha a coragem, para ligar-te e dizer: "vem, meu corpo sente frio".

terça-feira, 28 de junho de 2011

Tenho a estranha sensação de já ter vivido isto antes. Não exactamente em forma, mas cor. O corpo está demasiado quente, enquanto o coração segue demasiado frio.  O meu medo nunca foi perder-te para nada. O meu medo sempre foi perder-me de ti.

June.

O dia está demasiadamente pesado. Junho tem mostrado-se incansável em me cansar. Me gustaria um café fortíssimo, e algum tipo de abraço contra solidão. Seria um dia perfeitamente feito para ter sol em todas as horas. Não fosse a minha falta de vontade em calcanhar pelas ruas, ou a falta de gente que seja um bem par'alma. Seria qualquer dia desses, não fosse pela ausência no peito, no lugar daquela saudade toda, em que eu haveria de estar à sentir.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quiçá.

Têm umas palavras aqui dentro que eu queria muito dizer. Se calhar, na hora certa ei de fazê-lo. Sempre quis mostrar-te um pedaço de mim que deixo escondido. Para as melhores horas, aquelas em especial, quando sentamos na varanda e vemos o sol pular do chão. Se calhar, um dia, ei de mostrar-te o melhor de mim.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Taverna de Retalhos.

Entre um gole e outro de café, ele me contava brisas de um passado. Como quem abre um livro velho, ia tirando as memórias e sacudindo-as para espantar o pó. Dizia-me de um desamor que deixou para trás, e que em seu dia tivera cruzado. Via abrir-lhe o coração a cada articular dos lábios. Era fácil entender o caso em sua voz. Sucedeu que ele me ensinou algo sobre o amor, falando no contraste do próprio. Em todos os seus exageros, e futilidades mentais, pude encontrar em mim um risco.
Um risco só, de certezas. Certeza de que, saber bem do amor ninguém sabe.
Mas do desamor, sempre se tem certeza. E às vezes mais do que certeza, tem-se um pesar de arrependimento todo nos braços.
Para o ser que vive a vida em busca de um amor, digo-lhe que desista. Que comece pela outra ponta.
Pelo incerto, pelo frágil, pelo chão.
Que não queira chegar sentindo o céu e o inferno no corpo do outro.
Que não busque um complemento de alma, um encaixe de quadril, um cheiro para embriagar-se antes de dormir.
Que comece do jeito contrário. Não no querer saber o que é, mas justamente, sabendo o que não é.
Para então quando chegar o que de fato é forte, seja como respirar um sono pós mar.
Seja como carregar flores.
Que não seja amor.
Apenas que não seja desamor.
Estive à pensar em ligar-te. Falar das minhas saudades, da inquietude que se sucedeu noite passada. Da sequidão envolvendo o chá das cinco, que passou para às sete, em virtude de solidão. Falta aqui perto a tua voz. Falta em mim alguma coisa que levaste embora. O fevereiro e março de perto. Falta aqueles dias que tu deixaste em branco, no meu calendário. E a última palavra, que a falta de coragem da tua boca, roubou da minha paz.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Não escrevo pra você.

E mais uma vez estava ali, na frente do computador, com o cabelo preso de qualquer maneira e sua xícara de café. Embalada pelo som da chuva batendo na janela e pela melancolia rotineira que insistia em lhe fazer companhia, escrevia mais um de seus romances. Seu quarto estava um verdadeiro caos, livros jogados por todo canto, cama mal feita (aliás, não feita), papeis e mais papeis de rascunho.
- Está escrevendo pra mim? – entrou sem aviso prévio o responsável por toda aquela melancolia.
- O que você está fazendo aqui? – falou se levantando rapidamente da cadeira do computador.
- Queria saber.
- Saber o que?
- Se estava escrevendo pra mim.
- Não escrevo pra você, seu babaca! Não faço nada por você, muito menos pra você!
- Tem certeza, Beth?
- Você acha que depois de tudo, eu ainda perderia meu tempo contigo?
- Eu não sabia o que estava fazendo...
- Saia daqui!
- Mas...
- SAIA, LUÍS!
Fechou a porta com toda sua raiva assim que ele passou por ela.
- Não escrevo pra você! Escrevo pra lembrar de te esquecer todos os dias. – disse baixinho, só suas lágrimas ouviram.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lugar para sentir.

Certos dias o nosso corpo sente uma vontade grande de mudar.
Não é mudar por fora, nem por dentro, é uma mudança de espaço. Mudar os ares que embalam a correria dos pés, mãos, cabeça. principalmente a cabeça.
Depois de entrar na rotina, os dias perdem um pouco da doçura. vão tornando-se dias velhos.
Procuro uma forma de fazer os dias serem jovens. aqueles bem instáveis. Nunca sabem o que querem, o que vão querer amanhã. Sabe-se apenas que mudam de segundo em segundo.
Mudar o tempo todo pode parecer infantil, mas acredito nas mudanças boas.
Importa que, mesmo estando todos os dias no mesmo lugar, o nosso lugar de dentro seja novo todos os dias. Mesmo assim, não me sai do peito aquela vontade de deslocar o corpo.
O corpo todo, e talvez um pedaço do coração.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Cara a cara.

Ora, vejam só. Você sempre acreditou que a tua vida seria assim como aparenta ser, que teria muitos amigos, que as pessoas gostariam de ti e de estar contigo, e onde você está agora? Na frente de um computador? Não, isso é só um esconderijo. Você está afundando em desesperanças e sofre mais do que gosta de admitir, eu sei. Não precisa se esconder de mim porque eu te conheço mais do que eu e você pensa, acredite. Ah, como me dói te ver assim. Eu sinto o que você sente e sofro junto, por isso sei do que estou falando. Só quero que você fique bem, tire esse desânimo do peito e reaja. Pode ser? Aprenda a se amar, menina.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

De repente.

E assim fez-se a conversa. São palavras cheias de espinhos. Alguém aponta o dedo para os seus erros, alguém desliza a língua sobre seus defeitos. Relacionamentos se acabam. E as vezes, ou melhor, na maioria das vezes, a gente não sabe direito como agir. Procuro por um norte há meses. Uma direção que me deixe encontrar. Não me sinto perdida, completamente difusa, mas sim... só. Uma solidão semelhante á um mergulho. As palavras que digo, puramente para a conservação de ser alguém bom para confiar, não sei se ainda servem. Sinto um medo enraizando-se dentro de mim, e as vezes não. É um vai-e-vem. As vezes dói mais, as vezes não importa. É como se eu soubesse que tenho algo convincente para dizer, mas sempre escapa, como uma daquelas lágrimas, como uma daquelas frases, gaguejadas.

Verdades.

Se eu te disser para segurar a minha mão, bem forte, fechar os olhos, sentir minha pele tocando a tua, sentir o calor do meu sangue, sentir o nosso passado.
Se te disser que já quis perder meu tempo, que já perdi, mas que o tempo não importa, só não quero te perder.
Me diga por que é tão difícil abrir os olhos, depois que já se fecharam.
Me diga que tudo vai ficar bem, que as promessas duram para sempre, que o amor dura para sempre, e que nada é tão irreal que não possa permanecer por um segundo.
Diga que os prazos de validade foram feitos para consumirmos tudo mais depressa. Que as horas não passam, que os relógios não existem, e que as portas não separam nada.
Minta para mim.
Minta com amor, com desejo, com ânsia de colocar para fora mentiras coloridas e doces, feitas de amor, desfalecendo meu coração, usando o meu corpo, por que mentir faz bem para a pele.
Seque as lágrimas do meu travesseiro, limpe o suor dos vidros, e desligue o ventilador no inverno. Me aqueça com palavras, com palavras lúdicas, grossas, cheias de insanidade, iludidas com maciez e brilho difuso de uma mentira necessária.
Tenha por mim desafeto o suficiente para falar a verdade.
Amor para mentir tu já tens o suficiente.
Então me odeie!

Lugar pra nós dois.

Eu criei um lugar pra nós dois. Lá as coisas são como todos os começos de tudo. Tudo tem aquele brilho, aquele pedaço de sol poente, que aquece a pele, ilumina os olhos, e nos faz quentes e não tremer no frio.
Lá ficamos na calçada, diante do céu, tocando estrelas e usando a lua pra nós. E todas as coisas clichês do mundo não entram pela porta de pedra que construí antes de entrar.
Um lugar onde somos nós mesmos, sem lembranças ruins, sem falhas, sem perdão, onde podemos confiar de olhos vendados e sentir com todo o coração.
O amor é todo nosso, todo verdadeiro.
As flores têm cheiro de hortelã, e o ar que sai de nós tem cor de neve e é quente.
Nas pedras há todos os livros que gostamos de ler, e todos os problemas estão lá detrás do muro.
E pra quem pensa que não existe, eu discordo fortemente disto. Esse lugar está vivo em mim, ele arde, ele sangra, tem cor, e bate forte toda a vez que te vê chegando de mansinho e tocando os meus olhos com os teus.
Meu coração, é mesmo um lugar perfeito pra nós dois.

Amor não é suficiente.

Eu precisava de mais. Sempre precisei.
As mãos dele já não são suficientes para me segurar.
O amor já sofreu tanto. Foi tão disperdiçado.
Eu gostaria de poder recolher a areia do chão. Desculpe-me, mas não há mais tempo.
Já se foi o tempo em que tudo era verdade. Quando os olhos sentem, quando os lábios tocam os segundos. De certa forma rasgamos o véu do encanto.
Ele me fez promessas, jurou me fazer segura ao seu lado. Tudo se foi. A sensação que permanece é de que estou mais só do que jamais estive antes, e ainda assim ele está ao meu lado.
Quando me deito em seu peito, nas noites vagas, tenho medo de ouvir o coração que bate ali dentro. Nem sei se bate algo dentro disso tudo.
A realidade ingênua era mais fácil.
Quando se faziam planos de um futuro que nunca existiu, quando os sonhos eram belos e fáceis de imaginar sua conquista, tudo era mais fácil, diferente.
Nem há mais se quer um calor nos teus olhos. As chamas se apagaram. Uma por uma, para cada erro que deixamos passar.
Bem, novamente eu sofro por não saber a hora de parar com isso tudo.
Sejamos francos, nosso amor não é suficiente para suportar as mágoas, os erros, as mentiras e ilusões.
Nosso amor não é mais como era antes.
Não sou mais como fui naquele tempo, e talvez não mudei só.
Não te reconheço mais, nem em meus sonhos.
A pior parte disso tudo, é que enquanto houver amor ambos sofreremos muito.
E ele ainda existe, dentro de nós. Amor.

Daqui pra frente.

O teu amor que dissolve toda a escuridão que vem me seguindo.
Eu me acostumei com o teu toque, com o teu calor, teu cheiro, tua forma de respirar. Dizer que me tornei dependente demais das tuas mãos, dos teus olhos, do teu todo, é vazio demais para tudo aquilo que eu sinto.
Eu olho no espelho e já não vejo apenas um.
Mas os meus olhos apenas vêem aquilo que lhes é agradável. Eu sou um, e faz tanto tempo que fui dois.
E quando talvez haja algum remédio para mim, teu corpo se aproxima do meu, me deixando sem chão, e eu não consigo dizer o que eu deveria. Meus ouvidos acreditam perdidamente em todas as palavras que soam sem sentido. Hoje não será como amanhã, porque todas as tuas palavras têm um prazo de validade.
Eu não suporto precisar tanto de ti, odeio que o meu corpo encaixe perfeitamente com o teu, odeio te ver aos finais de tarde e saber que isso é a melhor coisa do mundo. Odeio cada vez que tuas mãos seguram o meu rosto, e tu me olhas nos olhos dizendo me amar para sempre. O para sempre nunca dura mais de dois dias. E a cada dia eu morro um pouco mais.
Eu só quero dizer que, eu desisto. Desisto de tentar, de sofrer, de ser tão vazia.
Cansei de a reciprocidade não conseguir me alcançar.
E cansei de ter medo de ficar só.
Cansei das palavras vencidas, da falta de coragem, do egoísmo e imaturidade.
Cansei de todas as promessas não cumpridas, das noites em claro, da saudade que machuca, da dor.
Cansei.
E apesar de o meu corpo gritar pelo teu todos os dias, de o meu coração pulsar pelo teu nome, a minha razão já se foi toda, quando a confiança pereceu junto com todas as mentiras.
Ainda  te amo, e não sei por quanto tempo.
Só quero dizer que eu cansei, e que não me importo mais com o que vai ser de nós, daqui pra frente.

No silêncio.

De que adiantam tantas palavras bonitas, se as pessoas não duram para sempre?
De que adiantam tantas promessas, frases feitas sem pensar, risos e lágrimas, se um dia tudo será nada?
Não sei.
Me falta algo na cabeça, algo que me faça entender porque tudo o que é bom dura pouco tempo, e as coisas podres tomam conta dos calendários.
Eu vou marcando os dias com caneta vermelha, esperando algo que não sei o que é.
Todos nós fazemos isso.
Vivendo e esperando, contando os dias para objetivos instáveis, atrás de um sol que nem sempre nasce para todos.
A vida, tão cruel, e tão mágica.
Não sei definir.
Vou me guardar no silêncio.

Mais do que provei.

Todos os nossos dias têm um gosto diferente.
Olho pra trás e vejo que ainda estou contigo, nos meus olhos, na minha pele, e no sorriso que eu tento dar à mim mesma todas as manhãs.
Parte da minha vida, na tua.
Enquanto tua mente se distrai com sonhos egoístas, em passos secos, eu fico aqui sonhando com os nossos dias.
Tudo isso há de ser para sempre.
Mesmo que os olhos não queiram mais sentir um ao outro, e as palavras prefiram descer pela garganta, ainda assim, haverá um mesmo gosto nos dias.
O gosto de algo bom, da verdade, que eu teimo em querer fazer durar para sempre.
O gosto das palavras, da tinta da caneta, do presente de aniversário, daquele bilhete escrito na pressa, numa folha de caderno amassada, com qualquer frase tua que pareça amor de verdade.
Um gosto meu, de tudo aquilo que ainda não provei, que a tua boca e a minha não tiveram tempo de provar.
De se provar tempo o suficiente.
Um gosto do tempo que não temos. Dos segundos doces que ainda não passaram.
O único desejo que tenho é que o tempo me dê ao menos uma chance de poder provar.
Que seja mais do que provei, por que o teu amor nunca vai ser suficiente.
É o melhor gosto que já tive a chance de sentir.
Eu ainda quero mais.

Do que se faz um sonho.

E é disso que são feitos os sonhos. De pedras, de cartas, de retalhos coloridos, costurados um à um numa colcha que envelhecerá no armário.
Os planos vão se criando, devagar, dentro da minha cabeça, e neles sempre há um lugar pro teu corpo.
Se eu quisesse fugir, deixar pra trás tudo o que me ergueu até aqui, eu o faria. Mas há nesse fantasiar todo, um lugar só teu.
Debaixo das minhas cobertas, do meu céu estrelado, das flores de plástico, de bolhas de sabão, há todo aquele ardor de um amor que eu criei pra nós.
Sabe que, nos meus olhos treme aquele medo de não te ver de manhã.
Aquela miudeza de vontades, de seguir contigo, em frente, nem que seja para dar de cara em qualquer muro do mundo.
Todo catavento que gira no meu peito, que migra cores em mim, que me faz sentir o teu gosto, o gosto de um futuro bom, que eu quero muito pra nós.
Disso tudo é que se fazem os sonhos.
Os meus sonhos, aqueles que eu sonho pra ti.

Ponto.


Bem, se está só, e ponto.
Só, e os sentimentos de dentro do peito, e as palavras surdas, na ponta da língua, querendo alguém para presentear. Querendo.
Um abraço sincero, com aquela pureza, aquela falta de interesse cego, apenas querendo o abraço mesmo, o sentimento, uma atenção passageira. Neste instante.
Relendo recados em pedaços soltos, folhas rasgadas, queimadas, cinzas que coçam nos olhos, que dão vontade de chorar, de correr, de encontrar alguém para dizer que está com saudade.
Vontade de enlouquecer, de fumar um cigarro, tomar um conhaque solitário, na poltrona velha, de frente para a janela. Assistindo a felicidade alheia, vendo o relógio correndo, a música tocando, e ficar parado, ali.
Os sons se tornam distantes, e só dá para sentir a lágrima descendo, pelo corpo, fria, nojenta, trazendo toda a tristeza, toda a parte do só.
Ainda dá tempo de jogar fora algumas promessas.          
Algumas palavras velhas, folhas em branco, fotografias.
Dá tempo de jogar fora essa cara lavada, essa tristeza apertada, e seguir em frente.
Só.
Por que ela diz que é feliz consigo.
Ela não precisa de mais nada.
Mais ninguém.

Tua luz.

Ainda lembro dos teus olhos. Guardo eles aqui, com os punhos cerrados, para não escaparem de mim.
Lembro da tua mão querendo ser a minha, e do teu corpo na areia, salgado, cheio de luz. Aquela luz que me lembro, só tu tens.
Lembro dos teus braços, quando me envolviam, alegremente, sutilmente, de um jeito tão bom, tão raro, que eu sabia, não duraria para sempre.
É isso, um cruzamento, e apenas.
O cruzar da minha alma com a tua.
Foi isso.

Norte.

Do avesso de ontem. Quando chega a hora de partir.
De dizer que a esperança fica, mas que o outro vai embora, levando consigo um pouco do um que fica, um pouco de passado fresco, um pouco de promessa da volta. Sem tempo, sem data, sem prometer a verdade.
E sabe, o corpo acostuma fácil. Tanto com a falta, como com o toque de sempre.
Mais complicado é acostumar os olhos, a alma. Lá dentro. Aqui dentro, sempre dói, sempre vai doer.
A lembrança é concreta, é palpável, e tão forte, tem cheiro de vento, tem gosto de comida velha, essa lembrança do que era, do que sempre foi, nós dois.
Pausa na vida, pausa na felicidade.
Um compasso em branco, sem melodia, sem quatro braços, sem pé nem cabeça.
Sem a tua voz macia. E a volta. Ela nunca vem. Ela não existe. Eu não quero que exista.
Depois da volta vem a partida, sempre vem o depois, e depois me dói por dentro.
O depois me rasga a garganta, me deixa sem sentido.
Até que passe. Até que eu me olhe no espelho, me sinta bem, me queira bem, e te mande embora do meu rosto, como esse choro enrolando na garganta, dando voltas e saindo pelos olhos. Mas eu sei me virar. Virar a vida do outro lado, e tentar um outro norte, talvez.

Cansando é que se aprende.

Eu entendo agora. O erro de quem disse que o tempo nos faz aprender. Acho que foi bondoso demais com os que não foram corajosos.
Na verdade, o tempo cansa.
O cansaço te faz repensar.
Te faz querer não cansar outra vez.
Pensar várias vezes antes de sofrer de novo, por algo que ainda não se aprendeu, ou por tentativas que não te cansaram, ainda.
Desiste de amar alguém. Não que tenha aprendido a viver sem ter, mas cansado de viver tendo, a mesma coisa, ou a falta da, mas cansa.
Não se aprende a verdade, mas cansa-se de ouvir mentiras.
E o cansaço te faz levantar da cama.
Pra tentar um novo fôlego, pra trocar de roupa, trocar de amor, trocar de alma ou de corpo até.
O cansaço te faz não perder tempo.
Te faz lavar a roupa suja, a cara suja, a alma.
Então, é que se aprende.
No cansaço se aprende o que é tempo.
E tempo é tudo aquilo que se quer trancar numa caixa de fósforos, e segurar bem apertado, pra não deixar escapar, pra se sentir dono do mundo, dono de ti mesmo, e dono daquele do teu lado.

Muito mais.

Eu te vejo.
Mesmo no escuro eu sinto o teu cheiro, eu sei o gosto que a tua pele tem.
O teu olhar tem aquele tipo de cor que me deixa sentir. Sentir todas as palavras encostando nos meus ossos, rangendo, batendo, traçando desenhos e passos dentro do meu corpo.
Eu poderia ficar aqui dentro até que o dia terminasse.
Ser o teu corpo, ser as tuas mãos.
Ser o teu pensamento inteiro.
Por que eu gosto disso.
Gosto da forma como a minha alma se abraça com a tua, como se prendem, nuas e cruas, sem medo, sem saber de futuro nenhum.
Eu só te sinto, e é a única coisa que quero sentir.
Sentir a verdade.
E dizer que sinto.
Que sinto tua falta, mais do que sinto a tua alma na minha.
Muito mais.

O devaneio do sentir.

A falta de algo decente dentro do meu peito me deixa substituir a inspiração por alguma outra coisa. Insanidade, talvez.
O fato é que a estranheza se apoderou de mim, faz algum tempo.
A falta de vontade de sentir, ou talvez a não esperança em algo de bom no outro.
Eu vejo meus passos, vejo que caminhei em uma calçada suja, e longas noites me trouxeram até aqui. Para entregar uma carta, um desejo, ou o meu coração, talvez.
Sinto o gosto do café amargo, sinto a xícara ficar vazia, esfrego os olhos com as mãos suadas, e sinto certa ojeriza de gente desinteressante.
Nem o egoísmo tem me incomodado.
Não me tornei uma pessoa má, apenas decidi que a bondade não se joga nas mãos de qualquer um, que não mereça, que não busque, que não precise dela.
A verdadeira arte de ser bom, de possuir a bondade em si, é saber ser justo.
Aceitar os erros, viver a melancolia da diferença, citar os pecados em uma lista cor de vinho, com tinta preta, e depois se arrepender de ser.
Saber que é melhor guardar as pedras nos bolsos do que carregá-las na mãos, afiadas, agudas, prontas para rasgarem.
E seguir o próprio rumo, tomar uma estrada com água e açúcar, chacoalhando o copo, a cabeça, o corpo todo.
Entender que a verdade é o único gás, o motivo de viver, de ser feliz, de ter certeza nas coisas, e esperança até mesmo naqueles que esquecemos de contar nos dedos.
Acreditar que não aprendemos a sentir, mas que sentimos para aprender.
Aprender a viver.

A verdade do afeto.

Se a vida te diz que agora não é o momento certo, não é certo sentir.
Sentir isso que te corrói por dentro, contorce a tua alma, e aperta o teu coração.
Nada tem sido mais triste do que sentir. O que foi bom hoje não tem mais graça.
O sentimento não é leve, ele pesa, machuca, não dá mais amor sincero.
E os dias passam te enganando, por debaixo da janela, onde todas as flores já murcharam.
Então eu te estendo a mão, e te digo para vir comigo, viver o teu amor próprio.
Seguir um caminho de verdade, sem estradas de pó, sem um céu de papel, tudo real, tudo verdadeiro pra te ver passar.
E embrulhado em um papel machê, com laço de fita e flor, te dou a minha felicidade, divido ela em mil pedaços, só pra te ver sorrir.
Sentir teu abraço feliz, seguro, e sem medo de sentir o que nasce aí dentro.
Eu te quero bem, tão bem que nem sei o quanto. A tua felicidade me faz feliz.
É tudo sincero, de verdade, real como a lágrima que corre dos teus olhos agora.
Como o sopro de intensa paz que cada linha contorna no teu peito. A paz de saber que eu te entrego a verdade, jogo as palavras sutilmente no teu rosto, mas tudo isso é por que eu te quero bem.

Dá pra tentar,

Dá pra jogar fora o amor.
Trocar por outro, como quem troca de roupa. Trocar as palavras bonitas por outras que queimam a garganta.
Dá pra trocar de casa. De rua, de carro, de cachorro, de gato. Trocar a cor dos olhos, do cabelo, da tinta no pincel.
Pegar o passado, jogar pela janela, desejar que venha um carro velho e termine com ele como um resto de cigarro jogado no asfalto.
Dá pra se enganar. Fingir que não gosta, que não quer, não precisa mais, e consegue respirar sem ar.
Pensar que amanhã tudo já vai ter passado. Que as palavras sumiram da cabeça, que os presentes são inúteis, que o vinho já virou vinagre na prateleira.
É. Dá pra se enganar. Tentar não ver as cicatrizes.
Mas não adianta. Por um tempo a gente cansa disso tudo, se olha no espelho e percebe que dá pra fingir sobre tudo. Menos quando deitar a cabeça no travesseiro. Sentir o peso nas costas. O peso da lembrança. O peso de todas as marcas que o corpo carrega.
E vai carregar, pra sempre.

Eu te digo que sinto.

Eu te digo que sinto.
Que sinto muito por ter jogado palavras frias no teu corpo. Por ter deixado de lado o pouco de nós que existia em mim. Sinto por nunca ter sentido o teu abraço.
Por não poder experimentar o teu colo, o teu ombro. Por não saber o gosto que a tua saliva tem. 
Sinto pela falta que faço. Muito mais pelas promessas que te devo. Sinto que a minha vida fica longe demais dos teus olhos. Que cada dia dura uma vida, quando não te tenho aqui.
Sinto pelo futuro que eu não quis ter. Pelas vezes em que desejei não ter existido pra ti. Por saber que nada disso importa agora. Que amanhã não será um dia completo, mesmo novo, nunca vou saber onde foi que te perdi.
Sinto pelas marcas dos dedos que deixei no teu rosto. Pelo gosto de sangue na tua boca.
Sinto pela tua dor. Pelos desafetos que te causei. Por todas as noites em claro. Por ocupar um espaço na tua vida.
Só quero dizer que sinto. Eu te digo que sinto. Sinto muito por te fazer sentir. Sentir o que nunca aconteceu.

Sobre a tua forma.

Essa tua simplicidade de encarar as coisas.
De colocar uma camisa limpa e encarar os problemas. Riscar os dias do calendário, sem dó algum. Teu jeito de dizer "eu te amo" sem fardos. A forma como o teu abraço é forte. Como a tua vida e a minha se embalam juntas, seguras no teu colo.
Toda essa raridade que o teu jeito parece ter pra mim. A maneira que o teu corpo se mantém de pé, entre qualquer vento ou tempestade grossa, ali, intacto e sempre forte.
Assim, escorrendo entre os dias cinzas, com o sorriso de sempre no rosto.
É isso que me faz acreditar. Acreditar em nós.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O que faz a tristeza.

Tentei pensar na tristeza como algo forte. Sempre tentei.
Talvez porque ela aproxima os corpos, um do outro. Talvez porque faz os olhos piscarem mais rápido. Ou simplesmente porque dói, e a dor faz com que a alma do outro enconste na tua.
Me pergunto se deixar a tristeza entrar significa fechar as saídas. Creio que não.
Sabe, o corpo precisa sentir frio para sentir falta do calor. Dar o o valor merecido para as coisas.
Sempre que se perde é que se quer ter. E acho que o peito sente a tristeza, para poder sentir a felicidade mais forte, depois.
Por isso que, o querer ser feliz exige que eu não seja alegre o tempo inteiro.
Eu preciso sentir falta do que me faz bem. E só quando não tenho é que sei que preciso.
Não é fato de querer, mas precisar. Eu preciso de tudo, dentro de mim, ao mesmo tempo e agora.
Porque um dos únicos medos que eu tenho nessa vida, é de não ter tempo de sentir todas as coisas que eu ainda espero fazer caber no peito.

Os dias.

Ao longo dos dias eu me vejo percebendo o que acontece do lado de fora.
Vejo que dentro de mim tudo é mais intenso.  A palavra de carinho, que se entrega confiante para o outro, esperando aquela reciprocidade de beijo, de abraço, de mãos dadas no verão.
Conforme os dias vão caindo fica mais fácil entender. Que nada sai como foi escrito na agenda. Nada será como hoje. E eu tenho as chances todas presas num chaveiro colorido, no bolso de fora do meu casaco. Tenho a certeza de que não consigo usá-las todas em uma só fechadura.
Tento deixar as idéias escaparem de mim, para o meu corpo ficar mais leve ao deitar na cama.
Sinto a pele pesar sobre os meus ossos, e a quantidade das vezes que disse não ao que o tempo tinha para me oferecer.
Depois que o dia cair, que meu corpo cair da cama, e que a noite passar, virá tudo outra vez.
Vem a dúvida, a indiferença, e aquela sensação de que eu nunca estarei no lugar certo nesse mundo.
Porque tudo acontece ao mesmo tempo, e agora, dentro de mim.

Validez.

Não gosto de gente perecível. Nunca gostei. Aquele tipo de pessoa que tem tempo certo pra ficar na tua vida, e hora marcada pra sair.
Quando passa da validade, só deixa o ar que respirou te fazendo companhia.
Não gosto de gente que vem e deixa nada. Pelo menos, se passar na minha vida, deixa um fio de cabelo, um abraço pra poder lembrar depois.
Deixa algum sorriso que preste, uma palavra que dure, qualquer coisa, mas deixa.
Chegar na vida de alguém, usar o tempo do outro, usar o abraço, sem deixar algo em troca, é uma covardia desumana.
Penso que, abusar do carinho do outro é um crime desses sem perdão.
Ao menos lembre de ligar mais tarde, deixar um bilhete na mesa, qualquer coisa assim. Não se vai embora batendo a porta. Assim como sentimento não deveria ter data de validade.
Se é pra sair da vida de alguém, sai devagarzinho, com passos doces, com explicações plausíveis, com alguma luz ou razão, para praticar o desapego sem dor pra ninguém. Faz as coisas da maneira certa. Deixa uma carta, assinada só com nome, pra dizer que lembrou. Que lembra. Que pensa em mim com carinho, com aquele sentimento bom no peito, lembrando de toda a palavra que jogamos um no outro.
Isso serve pra sempre.
Se não souber sair da vida de alguém, não saberá entrar de leve no coração daqueles que valem a pena.
É um cuidado dobrado. Mas que vale a pena no final. Na hora de sair pela porta da frente. Com a certeza de que dá pra voltar, em qualquer hora da vida, sem pedir licença.

Agora.

Como dizer que o tempo vai mudar as coisas? Será que é o tempo que muda ou a dor que cansa no peito?
Me faço essa pergunta, e ainda escuto um eco seco da icógnita dentro da cabeça.
Vejo todas as frases carregadas de palavras que pesam, que cortam como a ponta daquele espelho quebrado, passando na pele e abrindo um caminho para o sangue correr.
Eu tentei te tocar sutilmente. A tentativa teve o mesmo sentido que o vazio.
Precisei buscar uma forma menos medíocre de te entregar as verdades.
Eu mudei nos olhos.
Matei aquele brilho primário, infantil, que te dava certeza nas coisas. E sem pena.
Porque eu sei, o que morre, o que deixa de ser razão, não nasce e jamais será igual ao que foi antes.
Depois de jogar a palavra no coração do outro, é impossível carregá-las pra dentro do peito, outra vez. Não há chances de apagar os erros. Só há tentativas de tirar a culpa dos ombros, e conseguir sorrir por fora.
Não dá pra engolir tudo de volta. Tudo aquilo que foi dito, prometido, riscado da lista de palavras usadas.
Não dá pra carregar o tempo com as mãos. Embora eu tenha tentado fazê-lo, nunca consegui erguer mais do que um segundo.
Aos poucos se descobre o vazio das tentativas. E muito rápido se deixa de crêr que não há controle sobre o próprio coração.
Porque a amadurecência dos atos, te faz abrir os olhos pra dentro do peito, e na cabeça só fica a dúvida, do que será de nós amanhã.

O caos em si.

O meu lado da balança sempre desce mais depressa.
Talvez porque em mim as coisas sempre pesam mais. Tudo é carne, é osso, é forte. Na pele, sempre sinto tudo.
Penso que sentir demais é sempre melhor do que a indiferença. Aquele que não sente não é livre. Vive preso dentro da própria monotonia. No ver sem saber o gosto que tem o céu.
Naquela vela apagada, cheia de cera fria, sem cor. Chega a dar um dó de ver a chama morta. Prefiro assim, do meu jeito.
Tudo na sola da letra, nem ao pé, é sola mesmo.
Gosto de tudo desarrumado dentro do peito. Ver aquele caos interno, cheio do sentido, do gosto, da memória, do sorriso quente. O caos é sempre melhor que o vazio.
Porque no caos a mente quer pensar depressa, o coração quer sentir paz, e é sempre no querer que fica o ponto crítico.
No querer tudo acontece. No querer é dia, é fogo, tudo queima, envolve, faz arder.
No querer o que menos importa é o passo. O querer te faz esperar atrás da porta, só sentindo.
Espiando as horas pela fechadura, vendo tudo acontecer, tendo no peito toda a paz que precisa. Todo o querer.
Fica aquela sensação de sentir-se cheio. E se é cheio. Quando se tem o caos dentro de si, tudo é paz do lado de fora. E eu quero isso sempre: quero ser caos, sentir os segundos escoando pelo corpo. Fazer valer a pena, tudo, todos, sempre.

Entre a mentira e a verdade.

Não consigo esconder as mentiras. Elas sempre fazem um volume enorme debaixo do tapete. Acabam se entregando. Gritam. Querem ser verdades.
Toda a mentira já nasce sonhando em ser o que não pode.
Quer entrar por uma porta fechada, quer ver outro reflexo no espelho. Quer ser verdade, sabendo que se fosse possível, deixaria de existir. Não tem graça.
A mentira já virou gente. Gente que é de mentira tenta a todo custo morrer pra si.
Morrer para o passado, tentar voltar na barriga da mãe e nascer outra coisa. Não dá.
Ninguém gosta de carregar a mentira nas costas. Tentar se conter. Lavar a boca com água e sabão pra ver se limpa a sujeira toda que fez.
Mas quando vê, a língua já está mentindo entre os dentes.
Dá pra mentir pra fora, mentir pro passado, mas não conheço quem consiga mentir por dentro.
Quanto tempo o corpo aguenta? Os olhos não sabem mentir.
A verdade nasce no peito, começa a bater nos teus ossos, quer sair. E ela sai.
Ninguém segura a verdade para sempre. Ela é forte, é verdade, é certeza, é luz.
A verdade te tira do ar pra por teus pés no chão. E quando ela chega, não dá pra pregar o tapete no chão, não dá pra costurar a boca, não dá pra fechar os olhos. Ela abre toda a porta, quebra as janelas, arrebenta as correntes. Te faz lavar a cara na frente do mundo.
Mostra a tua carne, teu músculo, cada fio de sangue do teu corpo. Te torna o que tu és. E deixa bem claro que a mentira te mata lentamente. Um dia de cada vez, pra não doer. Enquanto uma só palavra de verdade liberta a tua alma, e num piscar de olhos, te enche de luz.

As horas todas, em mim.

Faço da sanidade a minha loucura.
Se eu for alguma coisa mais rara do que vento ou sol, então já me sinto bem por existir. Sinto vontade de viver o que é meu, buscar uma vida vivendo outra vida não dará bons resultados no final. É preciso olhar bem dentro dos próprios olhos.
Encarar os defeitos, as imperfeições, a hora de calar o choro.
A hora de voltar pra casa, lavar a roupa suja, lavar as mãos para os problemas que não me cabem. Fico pensando no que seria viver, se atrás dos meus olhos eu vejo a vida de um jeito que o outro não pode ver. Quantas verdades são ditas, e nem se sabe ao certo quanta verdade têm.
Porque conhecer a própria verdade é sempre a última escolha. É mais forte querer saber do outro, querer entrar no corpo de quem está do lado, ver a vida da forma que ele vê.
É sempre gostoso ser o que não é.
Mas chega uma hora em que só há um caminho, e é seguir ou deixar de existir.
O próprio caminho. Aquele que te faz alcançar um lugar perto do sol.
O teu lugar.
E entender que no final sempre será o teu sentir, a tua alma, e só.
É saber de si, do que se é, e do que dá pra viver enquanto existe um tempo só teu.
É por isso que eu não uso relógios: porque o tempo passa, me cansa, e eu nem quero saber.
Só sei do dia, da noite. Pessoas que encontrei, dos abraços, dos risos e apertos de mão.
Só sei dessas coisas clichês, que me fazem viver, que me tiram o sono, e contam as minhas horas reais. As horas que eu quero ter, no relógio, dentro do meu peito.
Batendo, contando, sentindo. Vivendo.

Entre o corpo e a cama.

Aquela sensação de deixar a cama e caminhar pela casa com o corpo quente.
Saber que deixou a cama quente. Com a forma do teu corpo nos lençóis.
Se escutar bem, ela te chama baixinho e grita e quer teu corpo outra vez.
Deixar uma vida pra trás deve ser assim. Deixar a cama. A coberta, o travesseiro, com toda a forma que o teu corpo já tinha escrito ali. O olhar ao redor do quarto é triste. Vê-se a cama vazia. A vida vazia.
A falta de algo que deveria caber de maneira tão ímpar nesse monte de braços e pernas desenhados no lençol.
Fica o silêncio entre um travesseiro e outro. A espera da noite, do peso, da pele, pra fazer sentir algo bom outra vez. A cama fica muda, sem cor, distante do mundo.
Enquanto tu vais caminhando pelos corredores da casa, sem ouvir as dores que ela tem pra te falar. Esquecendo o peso que o teu corpo deixou, marcado, na pele, na tábua, no osso da madeira.
Porque na tua cabeça, e só na tua, uma cama não tem coração. Mas na minha tem.
Tem pé, tem cabeça, e tem a minha forma e a tua, antes de eu estender o lençol de manhã.
Porque na pressa, já virou clichê demais, ir embora e deixar a cama toda desarrumada.
A vida toda - desarrumada.

Sobre o valor da amizade,

Sabemos dos caminhos que nos uniram, que deram as mãos para que os meus pés cruzassem com os teus. Tuas alegrias são o colorido das minhas, e teu sorriso é o ombro de qual eu sempre preciso para me apoiar. Por que há mais na minha alma e na tua, há sentir e ser, muito mais do que todos os grãos de areia do universo. E há também no amor que cultivamos, um quê de certezas que nos fazem ter paz ao acordar para a vida, todos os dias.

Nós.

Vem.
Já é hora de ser feliz. Eu te estendo tudo o que tenho.
Não estendo a mão, estendo o corpo inteiro. Eu te quero comigo, enquanto ouço o tic-tac do relógio. Descobrindo as sombras da parede. Vendo o colorido nas janelas do trem.
Vem, passa da hora que a gente prometeu. Passam os dias todos, juntos, como tranças coloridas, presas no pé da cama.
Te dou o melhor de mim, meu perfume, minha história toda.
Vem, pra quando chegar domingo o sol iluminar nós dois. Eu quero a paz de saber que as horas não param, e envelhecer no teu colo é viver em dobro os segundos.
Contorna o meu rosto com a ponta do polegar, pra gravar nos teus olhos todas as linhas que ele tem. Pra ser feliz na simplicidade toda do que criamos. Pra saber que ontem passou, e que amanhã ainda seremos nós.
Nós, bem apertados - pra nunca mais soltar.

Ainda.

Imaginar os meus ouvidos vazios todas as manhãs. Sem a tua voz doce, me afagando cada tímpano adormecido. Mais fácil seria deixar de existir, do que matar o que existe em nós dois. Eu sei de cada traço dos teus olhos. Sei das palavras que ficam debaixo da tua língua, quando o medo de me machucar é mais forte. 
Só sei que ainda não é hora de esquecer o gosto do teu sorriso. Nem esquecer nossos contratos imaginários, aqueles que a minha alma e a tua assinaram na pele. 
Eu queria te pedir pra ficar um pouco mais. Não vai embora ainda, na nossa vida tem espaço sobrando pra mais um abraço. No meu pescoço ainda tem espaço pra mais um beijo teu.

Brisa.


Daí eu queria te dizer umas coisas dessas, sem início certo. Dessas na ponta da língua, que dali não passam.
Que eu deixei uns dias nas tuas mãos, pra te fazer pensar um pouco mais. Sobre o que realmente significa o meu apreço por ti.
Deixamos estar então. Não passou desse tipo de brisa, dessas que criança boba pega na janela do ônibus. Só passaram minutos do teu lado mesmo. Fosse uma vida toda era coisa de pensar. Mas nem foi.
Foi teu carinho, tua conversa e um pouco dos teus olhos nos meus, pra ter alguma coisa pra lembrar, depois.
E o depois veio assim, tão depressa.

Dois.

O sabor das lágrimas tem um quê de incertezas minhas. Meus olhos não desviam da tua boca, na esperança de que saiam as palavras certas, aquelas que o meu coração precisa ouvir. Só fica o silêncio pairando no ar do quarto fechado. Estendo meus dedos até o teu rosto, na esperança de resgatar aquele passado tão lindo de nós dois. Tanto sei, que os sonhos não duram para sempre. Nem os meus, nem os que sonhamos acordados, eu no teu peito, e o teu peito em mim. Seguro minhas fraquezas com as mãos trêmulas, pedindo que não escorram pelos olhos, pois esse meu teatro já está tão desacreditado. Nesse desequilíbrio de erros, eu uso os teus como roupa nova, pra esquecer que eu poderia ter tomado outro rumo quando o teu caminho ficou longe do meu. A culpa disso tudo, é da minha alma, por se sentir tão metade, tão vazia, quando não posso encostar na tua, naquele nosso abraço tão doce.
A culpa disso tudo, é das frases feitas sem pensar, do teu amor escorrendo pelo meu corpo, da tua falsa sorte de me ter por perto.
A culpa disso tudo, somos nós.
Uma culpa bem feita, bem criada, pra não deixar desatar todos os nós que prenderam a gente, nesse vai-e-vem de coisas da vida, que embalam o que chamamos de sentir, de amor.
De nós.
Dois.

Na alma.

Gosto dessa amizade que a gente tem. Desse descompromisso com a hora de ligar, de estar presente nos abraços diários.
Gosto dessa maneira gostosa de lermos um a cabeça do outro. Saber o que é um sim, e o que é um não. Saber daquelas horas em que a voz não consegue sair pra dizer do sentimento que fica no peito. Gosto disso tudo em nós. Dessa sede por fazer e acontecer nas horas que passam. Gosto do jeito que a tua mão se estende pra mim, e dessa certeza de que dá pra confiar nos olhos que eu tenho.
E sinto saudade, quando a nossa vida fica distante, pelos tantos caminhos que devemos escolher. Pela falta de espaço pra um café, uma conversa de cansar ao telefone.
Saudade já deixou de ser, é necessidade de te ter por perto.
Mesmo sabendo que agora não dá mais pra ser tão bom.
Mesmo sabendo que a lembrança é muito mais bela do que os dias que virão a passar pelos nossos ombros.
Mesmo sabendo de tudo isso, eu ainda acredito que a tua amizade é uma das coisas mais fortes que já pude sentir nos meus ossos, no meu peito, e no meu coração.
E o teu lugar segue sempre aqui, passe o tempo que tiver que passar.
Passe tudo, que tiver que passar.
O que foi escrito n'alma, não dá mais pra apagar.

Nostalgia, apenas nostalgia.

Um pedaço daquele bolero teima em querer ficar na minha cabeça. Vejo os pés contando os compassos, e o sol contando janelas lá fora. Hoje faz frio, e eu sinto sede de café. 
Saudade segue na minha vida como poeira na roupa. Incomoda, mas só nota quem chegar perto demais. Fico feliz com os feitios juvenis que levei pra passear na calçada, e também pela vontade de tomar vinho com solidão ter se tornado-me menor. Hoje é dia desses de dar um sorriso, sabendo que não há alguém por perto pra adonar-se do que é meu. Fico cá eu, com os botões da minha blusa, sentindo esse sentimento que tanto encomoda. Essa nostalgia.

Rotineiro.

Faço o mesmo caminho todos os dias. Meus pés já decoraram o gosto das ruas. Me sinto cada dia mais seca, com sede de coisas que nunca pude beber. Falta em mim um pingo de loucura suficiente. Coisa pouca, mas que daria pra mudar o mundo. Meu ouvido vai levando a vida dele, fingindo que não precisa escutar de ti aquelas coisas que todos sonham escutar de alguém. Sou outro tipo de gente. Dessas gentes que fingem  não precisar, que não faz mal ser só. Mas sabe, a noite sempre vem sozinha, e eu queria estender os olhos até o teu quarto. Queria te ter do lado direito da cama, com os teus olhos amargos, e o peito tão mudo. Não importa o jeito, eu só queria ter.

Terça-feira é um preâmbulo...

pra nós dois. é o antes de dormir, de comer, de matar a sede com a tua saliva na minha boca. Terça-feira é um dia mediano, com pouca altura, e vagamente colorido. É um dia antes de te ter ao meu lado, antes de dormir.

O nosso livro.

Se eu fosse escrever um livro só nosso, deixaria a introdução para o teu corpo. Cada capítulo eu começaria com um fio de cabelo teu. E no final, eu teria de colocar três pontos. Minha mão não foi feita para escrever finais. Nem mesmo o nosso.

Hábitos que, por vezes, se tornam vícios.


Tenho ciência de que preciso libertar-me de alguns viciosos hábitos. Como o de apoiar certezas em coisas tão incertas. Sei que em certos dias, seria preferível que sentisse solidão.
Esse meu desjeito torto. Tentando incansavelmente sentir demais o que tenho no peito, e o que tem no peito do outro.
Deveria deixar pra lá o que não me traz a bonança interna, e muito menos faz por merecer todo afeto que carrego nos atos.
Sei dessas coisas que tenho de deixar pra trás.
Só ainda não sei como fazer para desprender meu corpo dessas sensações de paz, que vem e vão de vezes, e que deixam meu norte todo avesso, o corpo meio avulso, e o coração querendo sempre mais.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Complexa.

Sou conhecida pelo que falta, pelo que não sei e pelo que não vem. De tanto pensar e escrever no espelho do banheiro depois do banho, embaçado. Por debaixo de um rímel bem aplicado, existem olhos que choraram.. Cansaram, prometeram, além de olharem. Bastante! Desejaram conseguir reações através de pensamentos, como me ensinaram. Não devo ter aprendido direito; não veio. Rodeada por amigos imaginários suprindo a falta que me faz um ombro, um colo, um abraço. Que hoje me entendo como subentendida e provoco o silencio ao me perguntarem o que é que eu tenho. Se perguntarem pra você qual é o meu status diga que não sabe, nem eu sei. Apaixonada por perguntas sem respostas, entendo as coisas mais complexas e não entendo o óbvio. Ou não quero enxerga-lo! E ao admitir isso, meus olhos até que ameaçam se abrir, me iludindo como forma de carinho, mas se fecham. Grande novidade! Respondo, revido e só me sinto culpada por não me arrepender, por ter uma personalidade que de tão forte, me bate. Apanho, me curo e faço tudo de novo. Recomeço a minha vida todos os dias, grande parte da noite. E as inseguranças que me seguem se consolam entre si ao verem minhas vitórias, repentinas, passageiras; mas vitórias! Que em grau de felicidade, evolui. Aprendi, mas me pego querendo brigar com o coração que ultimamente, anda tão quieto que me vi sendo obrigada a parar e sentir se ele ainda batia. Fujo de quaisquer que sejam as responsabilidades que a vida me dá, ignoro as conseqüências e adoro, confesso. E só tenho pena, desdém do que é passageiro, do que não é verdadeiro. Me encontro todos os dias querendo descobrir afinal: Quem eu sou? Que não perco o habito de embaçar os vidros do ônibus também.. Sempre que me vejo fazendo e refazendo essa pergunta, onde quer que eu esteja. Que eu receio contar, mas ao diário devo ter confessado: essa armadura tão forte só funciona para quem não me conhece. Até estranham.
Invento problemas quando tá tudo certo, gosto do inesperado. Gosto de conseguir quando achava que estava tudo perdido! Talvez eu seja uma coitada, talvez eu mereça. Só consigo sonhar e há quem tenha pena de mim. Eu só queria agora, levantar de uma maneira diferente dessa cadeira. Possuindo um charme a-lá Marilyn Monroe, só queria hoje aparentar a mulher forte que não sou. E se sou, ainda não conheço. E me sentiria grata a quem a apresentasse para mim, quando tivesse um tempo livre. Canto enquanto não encontro, usando quase-sempre mesmas palavras. Enquanto eu descubro quem eu sou, todos ao meu redor pensam que têm certeza. Mas surpreendo, positivamente ou não. Entro em acordo comigo mesma e combino de pensar mais sobre isso amanhã. Afinal, estou feliz. Estou mentindo, estou feliz! 

Meu novo "eu".

Ao se olhar no espelho, uma pessoa desprezível apareceu em sua frente, lágrimas cairam de seus olhos ela pensou em desistir. O destruidor de corações havia  lhe destruído. A aparência de menina forte foi substituida por um olhar frio e cheio de tristeza.
O tempo não é o melhor remédio, ele só passava enquanto ela continuava sofrendo. 
Até que resolveu acreditar que seguir em frente seria a melhor solução mesmo com tantas lágrimas. Porém, havia uma coisa nela que ninguém nunca havia enxergado: raiva.
A protetora dos corações, aquela capaz de não se apaixonar para não sofrer estava com raiva, raiva de quem havia partido seu coração e nada iria mudar isso, nem mesmo o ego inflado do provocador de tanto sofrimento.
Seu ego cresceu, suas roupas diminuiram, sua voz ficou firme, seu olhar marcante, seu corpo correspondia a seus instintos, ela voltou a ser mulher, ela voltou a ser a poderosa, ela voltou a ser quem ele conheceu, mas com uma sutil diferença que qualquer um poderia perceber, menos os seus próprios olhos: ela não o queria mais.
Ela estava prestes a se apresentar ao dito cujo, ela queria mostrar que ele não a afetava, não mais. Então ele a viu indo em sua direção, ao se aproximar dela, ele a chamou de minha e sem querer um sorriso abriu em seu rosto. Diferente de todos os sorrisos de antes, aquele era um sorriso diferente, o desprezo estava ali, estampado em sua cara, e ele viu.
– Sua? 
Foi o que ela perguntou antes de se apresentar.
– Não, essa não é mais sua, esqueci de me apresentar, essa é aquela que aprendeu que sem você pode ser melhor, que sem você pode sim ser feliz, que sem você, ela ainda é ela. Prazer, esse é meu novo "eu".

domingo, 5 de junho de 2011

Eu nunca acreditei que tudo fosse retórico.

Tudo começou com uma brincadeira. Não considerava uma mentira, e sim um mero devaneio de uma garota comum.
Coisas que jurei jamais me envolver, e acabei me contradizendo. Atos que julgava inaceitáveis, acabaram se tornando rotineiros. 
Sabe aquela frase que eu sempre dizia nos meus momentos mais difíceis? Isso, aquela mesma. Aquela que dizia mais ou menos assim: "Eu vou ficar bem, eu sempre fico."
Então, com as barreiras que, por vaidade enfrentei, acabei aprendendo - mesmo que na marra, que isso é apenas mais uma frase clichê pela qual eu me escondia entre suas letras, tentando usá-las como um escudo. É como se meras palavras tornassem-se a solução dos meus problemas.
Eu não quero ser fraca e oprimida. Eu apenas quero ser feliz. E, muito mais do que isso: eu quero ser feliz sem ter que acarretar a felicidade de ninguém. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Todos nós somos iguais.

  A gente sempre acha que o nosso problema é maior. Sempre achamos que eles vivem muito melhor que nós, nós sempre nos deixamos para baixo. Mas você já pensou o quanto eles podem fingir assim como você? Todos os dias nós queremos chorar na frente de todo mundo para nos darem apenas um abraço, mas a gente sempre acha que eles não sabem de nada. E eles realmente não sabem. Apenas nós conseguimos entender o que se passa dentro de nós. Às vezes nem nós mesmos entendemos. Mas isso não te dá o direito de pensar em desistir. Porque nós sempre queremos exibir a nossa dor e tentar fazer com que alguém nos ame por ser assim como somos, mas nós desistimos na primeira vez que caímos como se mais nada importasse. Você vive dizendo que a sua vida é horrível, mas nunca quis saber como é a vida precária de outras pessoas. Você diz que a sua dor é grande demais para você agüentar, mas ninguém é mais fraco que ninguém. Nem melhor. Nem nada. Nós todos somos iguais.

Dou you remember?

Queria poder ter uma chance e coragem o suficiente de te puxar pelos os braços, jogar na parede e lhe falar o quanto você significa para mim.
            Aquele momento perfeito que parece que o mundo se explodiu e as conseqüências não abalam mais. Queria ter a coragem de pode olhar seus lábios sem deseja-los intensamente. Olhar seus olhos sem desvia-los por medo que você encontre a verdade escondida sobre eles. A sua arte de me decifrar sempre me irritou demais. Ninguém é capaz disso, não quero que justamente você seja a única pessoa que domine essa arte de invadir meus pensamentos, sonhos e controle-os tão facilmente.

            Por favor, pelo menos finja que não tem total controle sobre mim.

            Meus lábios tremem, minhas palavras ficam na garganta, sou completamente idiota ao seu lado, sou feliz e alegre: Sou apenas uma menina babaca novamente, não mais aquela garota nostálgica. Uma infeliz transformação que também não tenho o menor controle.
            Você está ali tão perto e tudo o que consigo fazer é sorrir quando você me conta uma piada, deseja um bom dia ou me abraça após ter me irritado muito.
            É horrível conviver com um desejo desse tipo. Mas, na verdade, tudo é sempre proibido e impossível para uma mente pouco estruturada. Queria mais maturidade, queria um chão que eu possa pisar sem medo. Na verdade, confesso que eu queria somente você.
            Você é uma espécie de veneno sonoro e visual. Sua voz faz com que meus medos fujam para muito longe, na verdade, não apenas meus medos, mas sonhos, desejos, planos, minha sanidade por inteira.
            Eu fico realmente louca por não ter nenhum controle sobre isso, por desejar lutar contra algo que nem mesmo quero lutar. Eu não quero lutar contra isso, pois é maravilhoso sentir aquele friozinho na barriga quando você esta há mais de 20 metros de mim.
            Então, para que você saber sobre isso se é apenas uma questão de tempo? Alguns meses e voltarei a ter certeza que estava apenas louca e poderei rir comigo mesma por ter decorado perfeitamente bem cada curva do seu rosto, por ter gravado musicalmente o seu sorriso que me encanta tanto. Para que você saber que durmo todos os dias pensando em você? Ninguém precisa saber desses meus pensamentos ingênuos. Ninguém precisa saber que sonho com seus suaves lábios sobre os meus, seus braços me cobrindo e seu coração batendo mais forte apenas por mim...
            Quem dera que você tivesse sido feito apenas para mim...

            Bobagens, estou ficando completamente louca.
            Confesso que tenho um pouco de medo e receio, mas, em alguns dias tudo isso acabará. Não sei o que está havendo, mas é a única coisa de que tenho certeza no momento é isso: Uma fase boba que iremos rir juntos, em breve.

I'm your wonderwall.

Eu duvido que a sinceridade seja suficiente para apaziguar tudo agora. Não tem como saber, sentir, acreditar, não existe nenhum manual escrito de como devemos agir. A confusão consome, nem sempre a dúvida some. Nós só sabemos de uma coisa:

Isso é real.

            Preciso olhar para você, te abraçar, dizer coisas que não posso escrever, não posso expressar. Preciso segurar a sua mão e sentir a sua pulsação, saber que você é real, pois não parece. Você é muito mais. Muito mais.
            Quero coisas simples, como correr na chuva, passar tardes assistindo filmes, comer brigadeiro até a língua ficar áspera de tanto doce, invadir o seu quarto para te acordar gritando, ir no cinema, correr, te bater, abraçar, enxugar uma lágrima, ir na sua escola só para te tirar de aula, brincar na calçada, conversar, rir, te abraçar. Te sentir.
            Você tem todas as qualidades que eu mais admiro, você sabe como me encantar, como me fazer sorrir e me sentir um pouquinho mais especial, como se eu fosse única no seu mundo. Não posso descrever o quanto você esta significando para mim, dia após dia, mais eu fico encantada.
            E.. agradeço por isso.
            Eu agradeço por ter te conhecido.

            Acredite, eu tenho tanto medo disso quanto você. Você conhece meus receios tão bem que dispenso as explicações.
            Ao mesmo tempo em que eu preciso disso, eu evito. Não sei como será daqui para frente, mas você só precisa saber que eu também amo você. Você me ensinou a te amar.
            Quero ser diferente de tudo aquilo que você já sentiu ou conheceu, as barreiras não seriam astutas o suficiente para me parar. Eu quero ser a tua melhor lembrança.