Do avesso de ontem. Quando chega a hora de partir.
De dizer que a esperança fica, mas que o outro vai embora, levando consigo um pouco do um que fica, um pouco de passado fresco, um pouco de promessa da volta. Sem tempo, sem data, sem prometer a verdade.
E sabe, o corpo acostuma fácil. Tanto com a falta, como com o toque de sempre.
Mais complicado é acostumar os olhos, a alma. Lá dentro. Aqui dentro, sempre dói, sempre vai doer.
A lembrança é concreta, é palpável, e tão forte, tem cheiro de vento, tem gosto de comida velha, essa lembrança do que era, do que sempre foi, nós dois.
Pausa na vida, pausa na felicidade.
Um compasso em branco, sem melodia, sem quatro braços, sem pé nem cabeça.
Sem a tua voz macia. E a volta. Ela nunca vem. Ela não existe. Eu não quero que exista.
Depois da volta vem a partida, sempre vem o depois, e depois me dói por dentro.
O depois me rasga a garganta, me deixa sem sentido.
Até que passe. Até que eu me olhe no espelho, me sinta bem, me queira bem, e te mande embora do meu rosto, como esse choro enrolando na garganta, dando voltas e saindo pelos olhos. Mas eu sei me virar. Virar a vida do outro lado, e tentar um outro norte, talvez.
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