O meu lado da balança sempre desce mais depressa.
Talvez porque em mim as coisas sempre pesam mais. Tudo é carne, é osso, é forte. Na pele, sempre sinto tudo.
Penso que sentir demais é sempre melhor do que a indiferença. Aquele que não sente não é livre. Vive preso dentro da própria monotonia. No ver sem saber o gosto que tem o céu.
Naquela vela apagada, cheia de cera fria, sem cor. Chega a dar um dó de ver a chama morta. Prefiro assim, do meu jeito.
Tudo na sola da letra, nem ao pé, é sola mesmo.
Gosto de tudo desarrumado dentro do peito. Ver aquele caos interno, cheio do sentido, do gosto, da memória, do sorriso quente. O caos é sempre melhor que o vazio.
Porque no caos a mente quer pensar depressa, o coração quer sentir paz, e é sempre no querer que fica o ponto crítico.
No querer tudo acontece. No querer é dia, é fogo, tudo queima, envolve, faz arder.
No querer o que menos importa é o passo. O querer te faz esperar atrás da porta, só sentindo.
Espiando as horas pela fechadura, vendo tudo acontecer, tendo no peito toda a paz que precisa. Todo o querer.
Fica aquela sensação de sentir-se cheio. E se é cheio. Quando se tem o caos dentro de si, tudo é paz do lado de fora. E eu quero isso sempre: quero ser caos, sentir os segundos escoando pelo corpo. Fazer valer a pena, tudo, todos, sempre.
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