A falta de algo decente dentro do meu peito me deixa substituir a inspiração por alguma outra coisa. Insanidade, talvez.
O fato é que a estranheza se apoderou de mim, faz algum tempo.
A falta de vontade de sentir, ou talvez a não esperança em algo de bom no outro.
Eu vejo meus passos, vejo que caminhei em uma calçada suja, e longas noites me trouxeram até aqui. Para entregar uma carta, um desejo, ou o meu coração, talvez.
Sinto o gosto do café amargo, sinto a xícara ficar vazia, esfrego os olhos com as mãos suadas, e sinto certa ojeriza de gente desinteressante.
Nem o egoísmo tem me incomodado.
Não me tornei uma pessoa má, apenas decidi que a bondade não se joga nas mãos de qualquer um, que não mereça, que não busque, que não precise dela.
A verdadeira arte de ser bom, de possuir a bondade em si, é saber ser justo.
Aceitar os erros, viver a melancolia da diferença, citar os pecados em uma lista cor de vinho, com tinta preta, e depois se arrepender de ser.
Saber que é melhor guardar as pedras nos bolsos do que carregá-las na mãos, afiadas, agudas, prontas para rasgarem.
E seguir o próprio rumo, tomar uma estrada com água e açúcar, chacoalhando o copo, a cabeça, o corpo todo.
Entender que a verdade é o único gás, o motivo de viver, de ser feliz, de ter certeza nas coisas, e esperança até mesmo naqueles que esquecemos de contar nos dedos.
Acreditar que não aprendemos a sentir, mas que sentimos para aprender.
Aprender a viver.
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