terça-feira, 7 de junho de 2011

Entre o corpo e a cama.

Aquela sensação de deixar a cama e caminhar pela casa com o corpo quente.
Saber que deixou a cama quente. Com a forma do teu corpo nos lençóis.
Se escutar bem, ela te chama baixinho e grita e quer teu corpo outra vez.
Deixar uma vida pra trás deve ser assim. Deixar a cama. A coberta, o travesseiro, com toda a forma que o teu corpo já tinha escrito ali. O olhar ao redor do quarto é triste. Vê-se a cama vazia. A vida vazia.
A falta de algo que deveria caber de maneira tão ímpar nesse monte de braços e pernas desenhados no lençol.
Fica o silêncio entre um travesseiro e outro. A espera da noite, do peso, da pele, pra fazer sentir algo bom outra vez. A cama fica muda, sem cor, distante do mundo.
Enquanto tu vais caminhando pelos corredores da casa, sem ouvir as dores que ela tem pra te falar. Esquecendo o peso que o teu corpo deixou, marcado, na pele, na tábua, no osso da madeira.
Porque na tua cabeça, e só na tua, uma cama não tem coração. Mas na minha tem.
Tem pé, tem cabeça, e tem a minha forma e a tua, antes de eu estender o lençol de manhã.
Porque na pressa, já virou clichê demais, ir embora e deixar a cama toda desarrumada.
A vida toda - desarrumada.

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