Bem, se está só, e ponto.
Só, e os sentimentos de dentro do peito, e as palavras surdas, na ponta da língua, querendo alguém para presentear. Querendo.
Um abraço sincero, com aquela pureza, aquela falta de interesse cego, apenas querendo o abraço mesmo, o sentimento, uma atenção passageira. Neste instante.
Relendo recados em pedaços soltos, folhas rasgadas, queimadas, cinzas que coçam nos olhos, que dão vontade de chorar, de correr, de encontrar alguém para dizer que está com saudade.
Vontade de enlouquecer, de fumar um cigarro, tomar um conhaque solitário, na poltrona velha, de frente para a janela. Assistindo a felicidade alheia, vendo o relógio correndo, a música tocando, e ficar parado, ali.
Os sons se tornam distantes, e só dá para sentir a lágrima descendo, pelo corpo, fria, nojenta, trazendo toda a tristeza, toda a parte do só.
Ainda dá tempo de jogar fora algumas promessas.
Algumas palavras velhas, folhas em branco, fotografias.
Dá tempo de jogar fora essa cara lavada, essa tristeza apertada, e seguir em frente.
Só.
Por que ela diz que é feliz consigo.
Ela não precisa de mais nada.
Mais ninguém.
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