Se eu for alguma coisa mais rara do que vento ou sol, então já me sinto bem por existir. Sinto vontade de viver o que é meu, buscar uma vida vivendo outra vida não dará bons resultados no final. É preciso olhar bem dentro dos próprios olhos.
Encarar os defeitos, as imperfeições, a hora de calar o choro.
A hora de voltar pra casa, lavar a roupa suja, lavar as mãos para os problemas que não me cabem. Fico pensando no que seria viver, se atrás dos meus olhos eu vejo a vida de um jeito que o outro não pode ver. Quantas verdades são ditas, e nem se sabe ao certo quanta verdade têm.
Porque conhecer a própria verdade é sempre a última escolha. É mais forte querer saber do outro, querer entrar no corpo de quem está do lado, ver a vida da forma que ele vê.
É sempre gostoso ser o que não é.
Mas chega uma hora em que só há um caminho, e é seguir ou deixar de existir.
O próprio caminho. Aquele que te faz alcançar um lugar perto do sol.
O teu lugar.
E entender que no final sempre será o teu sentir, a tua alma, e só.
É saber de si, do que se é, e do que dá pra viver enquanto existe um tempo só teu.
É por isso que eu não uso relógios: porque o tempo passa, me cansa, e eu nem quero saber.
Só sei do dia, da noite. Pessoas que encontrei, dos abraços, dos risos e apertos de mão.
Só sei dessas coisas clichês, que me fazem viver, que me tiram o sono, e contam as minhas horas reais. As horas que eu quero ter, no relógio, dentro do meu peito.
Batendo, contando, sentindo. Vivendo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário