terça-feira, 21 de junho de 2011

Não escrevo pra você.

E mais uma vez estava ali, na frente do computador, com o cabelo preso de qualquer maneira e sua xícara de café. Embalada pelo som da chuva batendo na janela e pela melancolia rotineira que insistia em lhe fazer companhia, escrevia mais um de seus romances. Seu quarto estava um verdadeiro caos, livros jogados por todo canto, cama mal feita (aliás, não feita), papeis e mais papeis de rascunho.
- Está escrevendo pra mim? – entrou sem aviso prévio o responsável por toda aquela melancolia.
- O que você está fazendo aqui? – falou se levantando rapidamente da cadeira do computador.
- Queria saber.
- Saber o que?
- Se estava escrevendo pra mim.
- Não escrevo pra você, seu babaca! Não faço nada por você, muito menos pra você!
- Tem certeza, Beth?
- Você acha que depois de tudo, eu ainda perderia meu tempo contigo?
- Eu não sabia o que estava fazendo...
- Saia daqui!
- Mas...
- SAIA, LUÍS!
Fechou a porta com toda sua raiva assim que ele passou por ela.
- Não escrevo pra você! Escrevo pra lembrar de te esquecer todos os dias. – disse baixinho, só suas lágrimas ouviram.

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